quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Jornal Tribuna do Pampa (Candiota) - 15 e 16 de outubro de 2015




LEIA A NOTÍCIA:
Cidades da região enfrentam prejuízos com as chuvas
Para esta quinta-feira, 15, a previsão da Somar Meteorologia é de que novos temporais vão ocorrer por causa de uma nova frente fria que vai se formar no Estado gaúcho. A notícia não é nem um pouca boa para quem reside no interior de Candiota, Hulha Negra, Pedras Altas e Pinheiro Machado. Esses
municípios já acumulam prejuízos devido ao grande volume de chuva registrado na região na última semana.

CANDIOTA - O município que já contabiliza mais de R$ 5 milhões com os estragos, decretou situação de emergência na última terça-feira, 13. "Tivemos um estrago muito grande. Fizemos um levantamento e constatamos que 370 quilômetros de estradas (do interior) foram altamente danificados, bueiros rompidos, entupidos", relata o secretário municipal de Obras e Serviços Públicos de Candiota, Artemio Parcianello. O secretário informa que uma estrada, no assentamento Santa Fé, está interditada em razão de ter ruído um bueiro, bem como o Corredor dos Arce está praticamente intrafegável, entre outros trechos vicinais que estão com sérios problemas. Ele informa que nos pontos mais críticos a equipe da Secretaria limpou sarjetas e bueiros com uma retroescavadeira. "Não utilizamos patrola porque piora a situação", ressalta Artêmio, lembrando que caso não seja feita a recuperação imediata nas estradas mais afetadas pelas chuvas, os transportes escolar e do caminhão do leite serão prejudicados. O secretário municipal de Agropecuária e Agricultura de Candiota, Fabiano Osvald, conta que a pecuária leiteira e de corte foram afetadas pelo frio intenso e excesso de chuva,assim como as produções de aveia e de sementes foram prejudicadas. Além disso, 58 famílias dos assentamentos Conquista do Cerro e Conquista do Paraíso, no interior do município, tiveram suas casas atingidas pelo temporal de granizo que ocorreu em Candiota na madrugada de 7 de outubro.

PINHEIRO MACHADO - O prefeito de Pinheiro Machado, Felipe da Feira (PT), destaca que quase os três mil quilômetros de estradas rurais do município foram danificados com as chuvas. Algumas vias foram interrompidas, como também houve estragos em pontes e bueiros. "Calculamos um prejuízo de mais de R$ 200 mil", lamenta Felipe, destacando que o governo municipal, em virtude
da crise que está atravessando, tentará conseguir ajuda financeira, junto as governos estadual e federal, para recuperar as vias do interior.

PEDRAS ALTAS - A prefeitura de Pedras Altas comunica que está fazendo a manutenção nos pontos críticos das estradas do interior do município. "Estão sendo resolvidos com a colocação de cascalho para que seja possível refazer os cursos das vias", informa a vice-prefeita da cidade, Lidia Maria de Azevedo Soares.

HULHA NEGRA - Já em Hulha Negra, os prejuízos com o grande volume de chuva passam dos R$ 500 mil. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente, Carlos Manzke, a situação das estradas do interior está bastante crítica."Vários produtores e o pessoal das cooperativas de leite estão reclamando que os acessos às propriedades estão prejudicados", diz Manzke. A ponte do Jaguarão, na divisa com Candiota, foi interditada. O secretário acrescenta que houve prejuízos nas produções de sementes olerícolas, como coentro e cebola, e que atrasou o plantio das lavouras de verão (soja e milho). De acordo com ele, as chuvas também afetaram as pastagens, o que refletiu negativamente na pecuária leiteira. "Não descartamos o decreto de emergência nos próximos dias", avalia.

FUNDO-A-FUNDO - O presidente da Famurs e prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador, apresentou nesta quarta-feira, 14, uma proposta ao governador do Estado, José Ivo Sartori, para desburocratizar a transferência de recursos para cidades em situação de emergência. A medida consiste em um repasse fundo-a-fundo diretamente aos cofres municipais, sem a necessidade de elaboração de plano de trabalho. "Agilizaria a prestação de auxílio às comunidades afetadas", explicou Folador. Segundo ele, funcionaria da mesma forma como já procede nas áreas de saúde, educação e assistência social. "O município recebe o recurso e depois presta contas de como e onde gastou", esclareceu. Outra proposta apresentada pela Famurs foi a destinação de parte do recurso de multas ambientais para os Fundos Municipais e Estadual da Defesa Civil. O assunto deverá ser tema de agenda na próxima semana em Brasília, com o ministro da Integração, Gilberto Occhi. Nesta terça-feira, 13, o governo do Estado atendeu a um pedido da Famurs e editou decreto de emergência
coletivo. É a terceira vez em 15 meses que isso acontece. Em julho de 2014, enxurradas na região norte do Estado atingiram 163 cidades e obrigaram 135 prefeituras a decretar situação de emergência.
Duas entraram em estado de calamidade pública.

BUROCRACIA - Os municípios que decretaram situação de emergência pelas enchentes de 2014 seguem ser receber auxílio. Dos R$ 30 milhões solicitados pelas prefeituras gaúchas no ano passado,
nenhum centavo foi liberado até agora. Entre os motivos da demora, está a falta de pessoal no Ministério da Integração. Apenas 14 engenheiros da Pasta analisam os projetos encaminhados de todo o Brasil. De acordo com Portaria 385 do Ministério da Integração, de outubro de 2014, a Pasta recebe anualmente aproximadamente 500 planos de trabalho e possuía cerca de 2,8 mil processos paralisados na data. O decreto também informa que o sistema federal de transferência de socorro aos municípios apresenta problemas. "O atual procedimento não atende de forma adequada a população
vitimada por desastre, não permitindo a recuperação, na velocidade necessária, da infraestrutura pública destruída, penalizando a população que não consegue retomar sua rotina", admitiu o então ministro Francisco Teixeira.

SEGUE A CHUVA - As chuvas que deixaram comunidades apreensivas no Rio Grande do Sul ainda não têm prazo para acabar. A previsão do tempo estima que até 27 de outubro ainda irá chover mais
200mm em todo o Estado. Esse fato acontece em decorrência do fenômeno climático El Niño, que aquece as águas do Oceano Pacífico e provoca volumes acima da média na Região Sul enquanto intensifica a seca no Nordeste.