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Região é contemplada com mais de um milhão de mudas nativas
Considerado um dos maiores do Rio Grande do Sul, o projeto Árvores Nativas, da Eletrobras CGTEE
(Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica), está entrando na quarta e última etapa. Essa fase prevê a manutenção das áreas de plantio.
Mais de um milhão de mudas foram plantadas em Aceguá, Candiota e Hulha Negra desde 2012, quando a iniciativa foi colocada em prática. A ação visa recompor cerca de 1.000 hectares de áreas degradadas e matas ciliares nas áreas de assentamentos desses municípios. A região foi beneficiada com mudas de espécies nativas e algumas ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul, como açoita-cavalo, angico, araçá, aroeiras, assobieira, branquilho, cedro, cerejeira, coronilha, corticeira-do-banhado, ipê-amarelo, ipê-roxo, jerivá, murta, pitangueira, pata-de-vaca, goiabeira-daserra e pessegueiro-do-mato.
Participaram do programa, que está sob a coordenação do Instituto Padre Josimo, mais de 600 famílias de assentados e agricultores da região. A iniciativa busca a efetiva participação dos agricultores assentados. Como contrapartida, eles disponibilizaram áreas de terra e mão de obra para realização do preparo do solo, plantio e manutenção das mudas. "As famílias beneficiárias cediam as áreas, passavam por capacitação, recebiam as mudas e o insumos de forma gratuita e executavam os plantios. Na forma de compensação, cada família recebia R$ 900 para cada hectare cedido ao projeto,
sendo esse valor em produtos a sua escolha para melhorar a produção em seu lote ou propriedade", explica o coordenador técnico do projeto, engenheiro florestal Marcelo Nascimento Bernál, destacando que as famílias não receberam dinheiro em espécie.
"No ano de 2012 foram plantados aproximadamente 400 hectares, em 2013 mais 400 e em 2014 aproximadamente 200 ha. Neste ano de 2015 foi celebrado um novo convênio para a manutenção das mudas por mais dois anos (2015 e 2016)", acrescenta. O engenheiro menciona que, além dos plantios
nos 1.000 hectares, mais de 240 mil mudas foram plantadas, através do projeto, no entorno da Barragem II da Eletrobras CGTEE, onde se localiza a prainha, e nas margens do Arroio Candiota, à usante da barragem. Dessas mudas, conforme Bernál, 100 mil foram plantadas em 2013 e 140 mil em 2014. "Essas áreas também são objetos do convênio celebrado neste ano para manutenção", diz.
"A etapa que se iniciou neste ano foi a de manutenção das mudas, que durará 24 meses (até junho de 2017). Ao todo foram plantadas 600 mil nos 1000 ha, 240 mil no entorno da Barragem II, além de replantadas mais 145 mil nos assentamentos e 20 mil no entorno da barragem ao longo dos três anos. Estão previstos o replantio (de algumas mudas que poderão morrer ao longo dos meses) de um total de 84 mil mudas em 2015 e mais 84 mil em 2016", completa. O coordenador do Instituto Padre Josimo, Frei Sérgio Göergen, ressalta que o projeto será uma oportunidade para que os beneficiados aumentem a renda familiar com a produção de mel e de frutas. Ele lembra ainda que muitas das plantas que foram distribuídas têm propriedades medicinais, como o chá-de-bugre e a espinheira-santa, e são nativas do Pampa gaúcho.
TAC - Tendo em vista que a geração de energia elétrica a partir da queima de carvão mineral pode provocar impactos ambientais que precisam ser minimizados ou compensados, a Eletrobras CGTEE firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), para a adequação ambiental da Usina Termelétrica Presidente Médici (Fases A e B), em Candiota, o que resultou nessa e outras iniciativas.
DEGRADAÇÃO - Os solos da região apresentam diferentes tipos de degradação que necessitavam correção. Algumas áreas são de preservação permanente junto aos cursos d'água, nas nascentes e olhos d'água, nas inclinações das barrocas. Outras áreas são degradadas por longos períodos de exploração humana, onde a biodiversidade diminuiu drasticamente pelo desmatamento, ação do gado e ampliação de lavouras, entre outras.
REFLORESTAMENTO - Foi possível ainda reflorestar, através do projeto, margens de açudes e bebedouros, novos bosques em áreas específicas, na recuperação e otimização da reserva legal e como auxílio nos processos de educação ambiental, implantando bosques demonstrativos em escolas e centros comunitários da região.
BIODIVERSIDADE - O projeto buscou também aumentar a diversidade biológica da região, garantindo melhor qualidade ao meio ambiente, mais condições de recuperação da natureza e mais equilíbrio.
O PROJETO EM DADOS E NÚMEROS
Total de mudas plantadas: 1.072.316 mudas de árvores, sendo 232.760 em 2012, 334.485 em 2013 e 505.071 em 2014.
Etapa 1: Assentamentos
Etapas 2 e 3: Barragens
Etapa 4 (que está sendo assinada): Manutenção das árvores plantadas nas etapas 1, 2 e 3 (roçamento, colocação de formicida e adubo e replantio das mudas que não pegaram).
Investimento: R$ 6.351.063,00 (Etapas 1, 2 e 3: R$ 3.405.503,00 e Etapa 4: R$ 2.945.560,00

